sexta-feira, 22 de junho de 2012

Professores, Estudantes e Técnicos da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri permanecem mobilizados durante a greve docente


Seg, 18 de Junho de 2012 21:40 Portal Minas Livre - Michelly Elias

Portal Minas Livre - Michelly Elias

Desde o dia 21 de maio, os professores da UFVJM – Campus do Mucuri encontra-se em greve, se somando à mobilização nacional dos docentes de outras 53 Instituições Federais Ensino Superior (IFES) no país.

Este movimento nacional se iniciou a pouco mais de um mês, no dia 17 de maio, tendo em linhas gerais três principais reivindicações: reestruturação do plano de carreira, tendo como referência a proposta apresentada pelo ANDES ao Governo Federal em março de 2011; melhoria nas condições de trabalho, que vem se tornando cada vez mais precarizadas devido à forma como tem ocorrido a implantação do REUNI; e reajuste salarial, tendo como proposta um piso nacional gerador de R$ 2.176,74 para o professor em regime de 20 horas semanais.

Nesse sentido, as reivindicações demonstram a necessidade urgente de valorização do trabalho dos professores universitários no país. E somado a isso, os informes em nível nacional sobre a situação em cada uma das Universidades e Institutos que estão em greve, demonstram a existência de diversas pautas locais com suas respectivas reivindicações que envolvem além do segmento docente, estudantes e técnico-administrativos.

Nesse contexto encontra-se a UFVJM – Campus do Mucuri, que teve seu campus implantado em 2006 na cidade de Teófilo Otoni. Sendo esta, a única Universidade além do campus da UFMG em Montes Claros, que se situa no território que abarca as regiões Norte e Nordeste de Minas Gerais, o que demonstra a importância social que esta Universidade possui para o estado, principalmente porque cerca de 94% dos estudantes da UFVJM - Campus do Mucuri, são dessas duas regiões de Minas Gerais.

Desde o início do movimento grevista, que contou com a adesão de 96% dos professores da UFVJM – Campus do Mucuri, várias atividades de mobilização e formação estão sendo realizadas. Nas assembléias que vêm ocorrendo constantemente, para debater e aprofundar a pauta de reivindicação nacional e a construção da pauta local tem ocorrido também debates sobre a importância da organização sindical, a necessidade de articulação dos professores com os outros segmentos de trabalhadores e com as lutas populares, e sobre o papel da Universidade Pública na sociedade atual. E também têm sido realizadas atividades culturais que resgatam a memória e a cultura popular brasileira e da região, assim como, ações de mobilização envolvendo estudantes e técnico-administrativos do Campus.

Dentre as principais reivindicações da pauta local construída pelos docentes constam: garantia de infraestrutura necessária para a realização das atividades de ensino, pesquisa e extensão; ampliação do quadro docente; gratificação das atividades administrativas exercida pelos docentes; garantia de professor substituto nos casos de afastamentos por licença saúde; construção e garantia de uma política de qualificação do corpo docente e instalação de equipamentos e garantia de normas de segurança no Campus.

É importante destacar que a experiência de participação dos professores neste processo de luta por condições dignas de trabalho e pela melhoria da educação pública brasileira, proporcionou além da construção de um significativo movimento grevista, a reativação da seção sindical de docentes da região, que se intitula ADOM – Associação dos Docentes do Ensino Superior do Vale do Mucuri, que conta atualmente com uma diretoria provisória.

E outro aspecto importante, é que desde o início, o movimento grevista adquiriu visibilidade e força na região, devido também à greve do segmento estudantil, o qual construiu uma pauta de reivindicações que diz respeito principalmente à melhoria das condições de estudo e de permanência na Universidade.

Esses fatos demonstram que a experiência da greve docente na UFVJM – Campus do Mucuri tem propiciado um importante aprendizado sobre a necessidade que existe da categoria se organizar e permanecer mobilizada. E juntamente com as reivindicações salariais, de melhoria nas condições de trabalho e de valorização da carreira, têm proporcionado importantes reflexões sobre o papel da Universidade Pública na sociedade brasileira atual e para os Vales do Jequitinhonha e Mucuri.

Assim, enquanto o movimento grevista continuar, o Comando de Greve Local docente, pretende permanecer com as diversas atividades que visam manter a categoria mobilizada e que buscam o diálogo e o apoio da sociedade para esta luta. E a partir dos desdobramentos da greve, pretende contribuir para que após este processo, haja melhores condições para a construção de uma sólida organização sindical da categoria, articulada aos demais segmentos de trabalhadores.

Michelly Elias i
Professora do Departamento de Serviço Social
Membro do Comando Local de Greve dos Docentes da UFVJM/Campus Mucuri

O Mesmo vale para o Campi Diamantina.
Sábado haverá uma manifestação no mercado velho em Diamantina.

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