quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Leia em íntegra a carta divulgada por César Brod sobre a saída dele para não cortar o ponto dos professores em greve.


“O PT como patrão  

“Orientação sobre a folha de ponto dos servidores em greve 
Informo que, seguindo orientação superior do MP, os grevistas deverão ter os pontos 
cortados, desta forma não deverá constar nenhuma observação na folha de ponta dos 
servidores que estão de greve e não registraram o ponto. Já aqueles servidores que estão 
de greve e mesmo assim registraram o ponto deverão  ter seus pontos cortados 
(anulados) já que não trabalharam.  
Quanto aos servidores que estão trabalhando normalmente e que não puderam trabalhar 
no dia 5 de julho por causa da greve dos ônibus podem ter seu dia abonado, código 05.”  
Sou coordenador geral de inovações tecnológicas do  departamento de sistemas de 
informação da secretaria de logística e sistemas de informação do ministério do 
planejamento, orçamento e gestão do governo do Brasil. Estou neste cargo desde 
setembro de 2011. Hoje comunico, publicamente, meu  pedido de exoneração.  
Todos sabem qual é meu salário graças à Lei de Acesso à Informação. Preciso deste 
salário e, de fato, tenho orgulho em merecê-lo. Mas a partir do momento em que tenho 
que ferir meus princípios para manter minha remuneração, meus princípios sempre 
ganharão o jogo, independente do que virá depois.  
Trabalho, há bastante tempo, com o conhecimento livre e modelos de negócios baseados 
nisso. Em Porto Alegre, no final dos anos 1990, tive o prazer de ver um projeto de 
governo crescer levando em conta a crença em que a  liberdade ampla para todas as 
formas de conhecimento era um fator gerador de inovação tecnológica e de criação de 
emprego e renda. Apoiei esse projeto mas nunca integrei nenhum quadro do governo até 
setembro de 2011, quando assumi o cargo acima mencionado, e passei a ser o 
responsável pelo Portal do Software Público Brasileiro, pela Infraestrutura Nacional de 
Dados Abertos, além de outras atividades.  
Não foi fácil, vindo da iniciativa privada e há mais de doze anos como empresário, 
aprender a hierarquia e a burocracia que são parte de um emprego público. Aliás, esse é 
um aprendizado constante. Mas segui trabalhando com minha paixão: liberdade de 
conhecimento como geração de inovação e riqueza.  
No decorrer de meu trabalho deparei-me com a greve do funcionalismo federal, à qual 
aderiram muitos dos que estavam sob minha coordenação. Enfrentar uma greve como 
executivo público foi algo totalmente inédito para mim. Acompanhei greves desde o 
tempo de meu avô, no surgimento do PT. Toda a articulação para as greves, para a 
criação de uma força que mudasse o estado, conscientizou uma população que colocou 
o PT no poder. Mas o PT patrão parece não ter aprendido com sua própria história. 
O PT patrão apenas aprimora as táticas de pressão psicológica e negociação questionável 
daqueles com os quais negociou na época em que a greve era sua.  
O PT patrão virou governo, melhorou o país e acha que não depende mais da máquina 
que sustenta o estado. O PT patrão, que fez muito pela nação, tem a certeza de que vai 
muito bem sozinho. E está indo mesmo!  
Eu espero que nosso país siga melhorando, mas estou nele para mudá-lo e não para 
cumprir ordens com as quais não concordo. Como coordenador, jamais cortarei o ponto 
daqueles que trabalham comigo e estão em greve. Independente da greve, eles 
cumpriram seus compromissos civis sempre que necessário. E, na greve, cultivaram 
ainda mais sua união na crença da construção de um Brasil melhor”.

(César Augusto Brod, responsável pela Coordenação Geral de Inovação 
Tecnológica da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério 
do Planejamento, Orçamento e Gestão). 







Nenhum comentário:

Postar um comentário